Dr. Ronaldo dos Santos Souza - Homeopatia
"Respeite a natureza sutil de seu ser, deixando a homeopatia cuidar de você"

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Ainda a homeopatia ou o que será do fim?

(a respeito do editorial do "The Lancet")

        A mais nova polêmica envolvendo a homeopatia ficou por conta da revista científica britânica The Lancet, Vol. 366, agosto de 2005. Nele se reproduz o estudo da Universidade de Berna, Suíça, que colocou em suspeição uma série de outros estudos que afirmavam a resolutividade clínica da homeopatia em determinadas patologias. A repercussão à distância de uma das publicações mais prestigiadas do mundo médico-científico recaiu de novo sobre a homeopatia com impacto igual ou superior à crítica da Nature em 1988 acerca dos mecanismos de ação dos medicamentos homeopáticos.

        É claro que o texto é munição eterna para os que já estavam determinados apriorisiticamente a atacar a homeopatia e isto influencia desproporcionalmente o ambiente de seriedade e respeitabilidade que estamos a duras penas tentando conquistar. Sem a menor dúvida isto vai influenciar os órgãos fomentadores assim como municiará os opositores do projeto de PNMNTC- Política nacional de medicinas naturais e terapêuticas complementares, recentemente encaminhada ao Ministério da Saúde do Brasil.

        Um outro aspecto é que agora pela qualidade da fonte de ataque será necessário mais do que inspiração para explicar porque os testes de eficácia usualmente falham. A pergunta é: será que pesquisas do tipo ensaio clínico com um desenho epidemiológico pré-formatado para mensurar resolutividade clínica de patologias podem aferir corretamente se a homeopatia é ou não eficaz. A cada vez que resultados de estudos como ensaios clínicos homeopáticos vêm à tona ficava-se dividido: que bom para a pesquisa, mas que sacrifícios complicados há que se fazer para ter tal aval. E por fim a inevitável pergunta: valeu mesmo a pena?

        Pesquisas de corte ou estudos populacionais seriam uma solução, talvez. Mas é provável que necessitem de tal verba para custeá-las que, sejamos sinceros, nenhum laboratório homeopático e até aqui nenhum Estado esteve disposto a bancá-las. As patogenesias - de relativo baixo custo -- mostrariam que há possíveis reprodutibilidades, mas jamais poderiam avaliar a terapêutica. Resta-nos pesquisar em estudos maciços de QVS (qualidade de vida em saúde) que permite aferir individualmente o que um acompanhamento homeopático pode fazer no médio prazo. A Professora Titular do Instituto de Medicina Social da UERJ, Madel Luz vem colocando que um modelo de pesquisa baseada no sujeito, nos moldes propostos pelas ciências humanas, e que implicasse num acompanhamento da trajetória deste, ainda estava por ser montado pelos homeopatas. Ao mesmo tempo, precisamos descaracterizar que a homeopatia é apenas a prima pobre da biomedicina e que nosso problema resume-se em falta de verba para pesquisas. Esta nos faz muita falta. Mas sem um consenso mínimo e um criterioso estudo de quais são as prioridades receio que seríamos derrotados pela realidade. Outra coisa que precisamos urgentemente descaracterizar é a voracidade midiática por uma experiência crucial que provará ou condenará definitivamente um sistema de idéias. Trata-se de uma aberração, pois como Canguilhem fez notar experimentos cruciais só são reconhecidos como tais, décadas ou séculos adiante.

        A homeopatia teria muito a ganhar se construísse alianças mais amplas com racionalidades e saberes pós-mecanicistas.

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Artigo de Paulo Rosenbaum (Médico, Mestre e Doutorando em Medicina Preventiva na FMUSP)
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